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quinta-feira, 19 de maio de 2011

POR UMA NOVA ÉTICA ALIMENTAR

O glifosato (Roundup) é um dos herbicidas mais tóxicos e é a terceira causa mais comumente relacionada às doenças causadas pelo uso de agroquímicos junto aos trabalhadores agrícolas. Produtos comerciais que contêm glifosato também contêm outros compostos, que podem ser tóxicos. O glifosato é tecnicamente muito difícil de ser detectado e quantificado em amostras colhidas no meio ambiente ou nos alimentos, o que significa que os dados são muitas vezes inexistentes no tocante aos níveis de resíduos nos alimentos e no ambiente, ou os dados existentes podem não ser confiáveis. ("Relatório do Greenpeace  - Abril de 1997).
O uso de plantas altamente resistentes aos herbicidas (nomeadamente Glifosato) trás aos agricultores uma falsa idéia de que é possível usá-los livremente, já que as culturas geneticamente modificadas são resistentes aos mesmos e por isso não seriam afetadas por doses “exageradas” de herbicidas. Esta tendência se expressa com o aumento das solicitações de permissão, por parte das indústrias alimentícias que utilizam matéria prima vinda de cultivos geneticamente modificados, para que sejam comercializados alimentos com maiores teores residuais de herbicidas e tais alimentos já vêm sendo comercializados.
As legislações sobre o uso de organismos geneticamente modificados têm se mostrado ineficazes no sentido de fazer valer o principio da precaução visto ser a questão tão complexa e permitir tantas portas e janelas que driblam as regulamentações. A globalização da indústria de alimentos trás ainda mais complicadores nesta regulamentação, impondo aos mecanismos nacionais de cada país uma atenção multiplicada tanto no aspecto normativo quanto à fiscalização e isto impõe altos custos de como operacionalizar o controle.
Se isso é uma verdade preocupante para as populações esclarecidas dos países ricos, pensemos em termos de países onde a pobreza é contundente e o atendimento às necessidades alimentares  básicas é precário. Podemos, então, imaginar  que tal regulamentação pode parecer desnecessária por conta da ineficácia de tal regulamentação, ou, ainda, por conta de uma “emergência” de alimentar pessoas famintas. A decorrência disto pode ser então previsível quando, em nome de alimentar uma massa de famintos, pode-se estar criando verdadeiros laboratórios de teste para os alimentos transgênicos contaminados com altas doses residuais de agroquímicos. Esta possibilidade é assustadora e nos faz pensar na defesa de uma nova ética para o mundo contemporâneo.